
Na qualidade de agitadora cultural doméstica e comandando um pequeno balcão de empregos e oportunidades para garantir atividades aos fofos, recomendei ao meu filho recém-formado ator que procurasse conhecer o trabalho do jornalista e dramaturgo Sergio Roveri. Na pesquisa realizada surgiram a página no Orkut e o blog deste rapaz.
Ao deliciar-me com sua escrita, me veio o assombro: o assunto recentemente abordado por Roveri em seu blog é matéria da Folha sobre a carne de cavalo. Concordo com meu colega. Por que precisamos matar tantos animais para saciar nossa fome?
Lembrei-me do olhar de Sofia, minha pangaré em Camanduca. Olhar lindo de tão melancólico, e só iluminado pelo reflexo das tardes em que o sol faz contrastes no morro. Cavalos são animais tristes, têm medo dos homens, exceto daqueles que lhes levam o milho, especialmente na estiagem, quando sofrem com a falta de pasto.
Têm medo do medo dos urbanóides quando sobem em seus lombos, se desesperam se o urbanóide se desesperar. Se encantam com o caminho, se o urbanóide se der conta do encanto. E como é difícil ritmar o corpo do urbanóide aos solavancos do trotar!A dedicação de Sofia a Nietzsche, sua única cria, é comovente. Seguem juntos pelo pasto, pelas estradinhas, e as primeiras tentativas de galope - quando o cavalinho ganha coragem, galopa, e não sabe bem como, nem onde parar - são acompanhas pelo mesmo rastro de melancolia azul-marinho do olhar de Sofia. Quase nunca deitam e se deitarem, é o momento do adeus.
Se ao comê-los fosse possível deter tanta melancolia e ritmo, sim, confesso, eu comeria ao menos um pedaço, para virar poeta.
Ao deliciar-me com sua escrita, me veio o assombro: o assunto recentemente abordado por Roveri em seu blog é matéria da Folha sobre a carne de cavalo. Concordo com meu colega. Por que precisamos matar tantos animais para saciar nossa fome?
Lembrei-me do olhar de Sofia, minha pangaré em Camanduca. Olhar lindo de tão melancólico, e só iluminado pelo reflexo das tardes em que o sol faz contrastes no morro. Cavalos são animais tristes, têm medo dos homens, exceto daqueles que lhes levam o milho, especialmente na estiagem, quando sofrem com a falta de pasto.
Têm medo do medo dos urbanóides quando sobem em seus lombos, se desesperam se o urbanóide se desesperar. Se encantam com o caminho, se o urbanóide se der conta do encanto. E como é difícil ritmar o corpo do urbanóide aos solavancos do trotar!A dedicação de Sofia a Nietzsche, sua única cria, é comovente. Seguem juntos pelo pasto, pelas estradinhas, e as primeiras tentativas de galope - quando o cavalinho ganha coragem, galopa, e não sabe bem como, nem onde parar - são acompanhas pelo mesmo rastro de melancolia azul-marinho do olhar de Sofia. Quase nunca deitam e se deitarem, é o momento do adeus.
Se ao comê-los fosse possível deter tanta melancolia e ritmo, sim, confesso, eu comeria ao menos um pedaço, para virar poeta.
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