quinta-feira, 10 de maio de 2007

O tormento mora ao lado

Queridos amigos!

Que bom voltar ao computador. Um "bode" de pelo menos uns cinco anos me afastou do teclado e da escrita. Não, não adoeci, estava doente antes do"bode", e o sintoma eram horas plugadas à telinha. Sim, o "bode" foi providencial e me sinto curada, pronta para ficar diante da telinha só o tanto necessário para mimar com palavras minha prole de oito filhos fofos, meu marido lindo, minha família deliciosa.
Como todos aqui de casa são sensíveis, inteligentes, plugados com este e outros mundos, desejosos de poesia e receosos com a minha sanidade, prometo caprichar.

Por ora, contextualizo: mudei-me há quatro meses, saida às pressas de uma casa com forro para cair. Chorei, esperniei, larguei um pé de Pata-de-vaca que fazia sombra no meu quarto e treze anos de histórias incríveis, para morar na rua de baixo. Podia sentir o suspiro de alívio dos meus vizinhos.
Depois de um mês na nova casa, soube por meio dos berros do meu novo vizinho que ele tinha transtorno do sono. Eu tentava convencer minha filha mais velha, por telefone, a fazer não me lembro bem o quê. O problema foi que a conversa rolava na varanda, por telefone, e, devo reconhecer, eu costumo levantar a voz, paulatinamente, quando um dos fofos consegue levar para um lado totalmente adverso uma conversa que deveria ser básica, tipo " eu falo e você escuta".
A varanda é muito perto da janela deste senhor meu vizinho, ademais, ele vinha acumulando muitas mágoas conosco, os recém-chegados. Daí , sim, a conversa foi do tipo "eu escuto e você fala". Ele falou muito, gritou, reclamou, se desesperou. Eu só podia pedir desculpas, juro, quase ajoelhei.
No dia eguinte, o senhor tocou a campainha. Quem estava magoada, então, era eu. Uma mágoa que não me impedira de passar máscara anti-rugas no rosto, logo cedo; era daquelas máscaras que ficam estateladas , mas não gosmentas. Fui atender a campainha achando que a Eni, minha secretária de anos, acabara de chegar. Era o senhor do lado. Que aproveitou para chamar o casal do outro lado para juntos efetivarem as reclamções.
Consegui, aos poucos, ir tirando a máscara, esfregando os dedos no rosto. Ia caindo aquele pózinho na roupa, foi muito constrangedor. Parecia que no meio da extrema seriedade do momento, alguém ali, além de mim, tinha muita vontade de dar risada, mas ninguém se atreveu. Prometi que meu marido conversaria com todos eles naquela mesma noite, quando eu, infelizmente, não estaria. Ufa.
Passado o entrevero, e baixada normas de condutas noturnas em casa, elaboradas a partir de uma lista infindável de queixas dos vizinhos, repensei e achei que neste mundo não cabe mais uma família como a minha. Meus filhos são tão fofos, tão lindos, e como culpá-los por fechar portas, abrir guarda-roupas, tomar banho...entre meia- noite e duas da manhã? Somos nós os culpados ou o povo que cosntrói casas assim tão juntas, separadas apenas por tijolos baianos? Minha filha, quintoanista de Arquitetura, jura que a culpa é dos tijolos!
Tudo bem, as duas festas ocorridas na minha ausência, até seis horas da manhã, realmente, foram abusivas (jurei para o meu vizinho que eu não estava em casa. E não estava mesmo!). De resto, o que fazer? Temos de morar! E eu preciso usar a esteira, e a máquina de lavar funciona umas quatro vezes por dia!

Bem, alguém na casa do vizinho toca gaita, já ouvi. Fato que, de certa forma, me libera para treinar minha flauta...tocar minha kântale...será? Libera as pequenas para treinar violão?

Dias depois, olhando o céu de Camanduca, perdoei meu vizinho.

10 comentários:

Unknown disse...

ainda acho que o vizinho sente uma pontinha de inveja por vc ter filhos tão lindos e amáveis, e quanto os dele não aguentou a chatice de seu próprio pai e resolveram sair de casa. (hahahah) tudo é possível...
mas como na vida tudo faz sentido... a melhor parte do dia é quando chegamos em casa depois de um dia de "fdp", fazer o barulho que for para ouvir todas as reclamações para completar o dia "fdp", e ainda ser recebido por beijos, abraços e aquele "boa noite" que dura até o momento de ouvir o "bom dia". Sem contar da sopa quente, da cama preparada, do aconhego, do banho quente, das risadas sinceras, do conselho "não ouvido", e de poder dizer "lar, doce lar", que só vocÊ consegue proporcionar.
um lar que, por sinal, tem a sua cara mãe, do seu jeitinho, e perfeito!
sei que tem dias que demoro pra voltar pra casa, mas eu sempre volto, porque a intenção é nunca sair de lá...
Amo muito vocÊ!
E seja bem vinda...
tá faltando agora o orkut e msn.
vamos manhÊ, vc consegue!!!

Pedro Ivo disse...

Por mim, rolava um arrastão na casa desse alemão da peste!

Na pior das hipóteses eu sempre penso: "Bom, aqui em casa estamos em maior número!"

Semo nozes...

Unknown disse...

O problema (para os que assim vêem) é que sua família é sonora Sandra. Falo isso fundamentada na vivência que tenho com um dos seus oito fofos (ou seriam 10, hein? porque conheço a Marília e a Bá! rs). E toda essa sonoridade é regida por um grande maestro - você!
Parabéns pelo exemplo de família mesmo. Se mais vizinhos soubessem os valores que carregam aposto que abririam mão dos tijolos. Certeza!
Um grande beijo!
Ana (amiga da Bá)

Unknown disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Unknown disse...

Ah, mãe,
Se não nós, quem vai fazer a DIFERENÇA??? A missão é árdua... O resultado é fascinante.
AMO cada letra, espelho meu.

Unknown disse...

PS: minha intenção é demorar para sair de casa e você reclama... A Marina pretende "nunca sair de lá"!!! Uuuia o drama... Ahahahaha...

Unknown disse...

Manhê, explica pra Bá que eu não sou um peso, explica?
Eu nunca tÔ em casa... hahahahah...
Vai manhê, explica pra ela, explica?!...

Bá, a gente te ama.
Manhê, te amo mais.
E todo mundo me ama...
Ai, que lindo.

Fabiana disse...

Sandra, já tive muitos vizinhos, mas nunca me deparei com uma situação desta. Imagine você morando aqui onde estou, um condomínio com apenas 19 casas. É tão silencioso que quando falo pelo msn as pessoas ouvem o canto dos passarinhos que ficam na árvore ao lado da janela.
Tudo é passageiro, curta os seus filhos, com moderação. E quanto aos vizinhos mande de vez enquando uma caixa de ovos de Camanducaia, limão caipira, quem sabe um dia limão do meu pezinho de limão, e assim por diante.
Quem sabe com o tempo eles acostumam com o agito da tua casa.
Beijos, Fabi

Unknown disse...

MÃE ..GOSTEI BASTANTE DO QUE A FABIANA FALOU RSRSRS.BOM EU JÁ NÃO FAÇO MUITO BARULHO, TENTO FAZER O MENOS POSSÍVEL.MAS CONCERTEZA ESSE VIZINHO DEVE MORRER DE INVEJA,DE VER TDOS OS DIAS UM MONTE DE GENTE BONITA DESSA CASA RSRS .MÃE T AMO E BOA SORTE COM ESSE NOVO BLOGGER

Anônimo disse...

Olhando um céu desses perdoaria todos os meus desafetos, rs.
Você é privilegiada não só pela família que tem (pelo que você escreveu), mas por viver num lugar desses (só o que estraga é o vizinho,né?!),pq Camanduca sópela foto me parece perfeito!!
Bjs :)